segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Férias


Estou de férias! Existe algo de errado com esse período do ano em que não se trabalha. Durante o período letivo, em que estou envolvido diariamente com as aulas e demais afazeres de minha escola, a gente sente que o tempo passa depressa. Agora, nestas férias, ainda semana passada eu tinha como certo que era dia 7 de janeiro e mais tarde naquele mesmo dia me dei conta de que já estávamos no dia 14! Como pode ser isso? Parece que o tempo endoidou de vez.
Logo que se iniciaram as férias, estava eu calmamente assistindo a um desses telejornais do meio dia, e de pouco em pouco tempo olhava freneticamente para o relógio, como se estivesse à espera de entrar em sala de aula. Quando percebi tal coisa, tirei imediatamente o incômodo aparelho do pulso. É impressionante como se fica escravo do tempo quando se tem trabalho a fazer. Tudo precisa ser cronologicamente agendado durante cada um dos dias úteis da semana. O almoço, normalmente um momento do dia que deveria ser aproveitado de forma prazerosa, acaba se tornando apenas mais uma “tarefa” a cumprir, dentre as tantas do dia. Se bobear, pela tarde nem lembramos mais o que comemos no almoço! Não dá nem pra sentir o sabor dos alimentos, é uma lástima.
Durante o período de férias tudo muda. O tempo passa ainda mais depressa que o normal, nossa agenda de horários demarcados durante o dia, cronometrados, desaparece. Ah, a liberdade total! Numa noite, dormir às 10 da noite, na outra lá pelas 4 da manhã. Acordar deixa de ser um exercício doloroso. De repente passamos a deixar de acordar rabugentos e passamos a acordar de muito bem com a vida. Em vez de termos um relógio artificial, uma praga computadorizada nos acordando, temos o relógio biológico! Acordamos quando nosso corpo acha que é conveniente. Muito mais sensato e saudável. Se as pessoas tivessem férias duas vezes durante o ano, com certeza nossa expectativa de vida aumentaria em uns bons 10 anos ou ainda mais.
Certa vez alguém afirmou que “a vida acontece durante as férias”. É uma ideia deveras interessante, com a qual simpatizo muito e concordo plenamente também. Durante esse período até a saúde das pessoas melhora. A gente consegue se alimentar melhor. Daí sim conseguimos dividir nosso dia entre os afazeres chatos, porém necessários, e os momentos de lazer. E é precisamente nos momentos de lazer que nossa criatividade aparece. É nessas horas que conseguimos pensar com mais clareza, que conseguimos criar coisas boas. É nessas horas que costumam surgir as ideias luminosas e criativas.
Nenhuma das grandes obras de arte da pintura, escultura, música ou literatura existiriam se não fosse pelo ócio de seus idealizadores. Se algum dia iremos criar alguma obra prima, que deixaremos de herança para os nossos semelhantes, será durante esses períodos de ócio. Indubitavelmente. Basta uma rápida pesquisa e logo descobriremos que nenhuma grande obra de arte foi jamais criada por algum indivíduo atarefado! O trabalho realiza, costuma-se dizer. Pode até ser, mas o ócio é necessário para se renovar, sair da rotina massacrante e escravizante do trabalho. Sem contar que naqueles períodos de acúmulo de afazeres, nossa produtividade cai, e muito.
Quando as férias acabam, nos sentimos como se uma enorme quantidade de poeira e lixo acumulados tivessem sido retirados dos recônditos mais profundos das nossas mentes cansadas. Muitas vezes, as pessoas são levadas a pensar que só o trabalho braçal cansa. Ledo engano. O trabalho intelectual, o pensar, os estudos e pesquisas diários, os tantos projetos paralelos com os quais nos envolvemos, nos deixam exaustos, esgotados. No meu caso, não fosse a paixão, o amor que o conhecimento e o saber sempre me proporcionaram, eu já estaria batendo cartão em alguma fábrica de enlatados, de caixas de fósforos talvez. Mas não posso. Por mais que me sinta cansado a cada final de ano, eu sei que ali pelo início de fevereiro irei sentir saudades de voltar. Voltar para os livros, para os alunos, para esse mundo desafiador e encantador que envolve o saber e que envolve a todos nós.

Nenhum comentário: